27 de dezembro de 2016

Oficina Literária, por elas

Nossas alunas Sônia e Maria Emília, orientadas pela psicóloga Regina Célia Celebrone, nos permitiram replicar aqui no nosso blog um pouquinho do que elas produziram nas aulas de Oficina Literária no ano de 2016. À elas, o nosso muito obrigada!

Minha história com o Bacacheri, o bairro em que eu nasci – Sônia Garcia
“Eu nasci na Cidade de Curitiba, Estado do Paraná aliás, sua capital. Nasci num bairro com um nome curioso. Uma mistura de esquisito com estranho: BACACHERI. A história que ouvi sobre a origem do nome do bairro é que foi uma homenagem a uma vaca chamada “Chérie”, cujo dono era um português. Passei seis anos da minha infância na delícia de morar num bairro ainda com vestígios fortes de zona rural. Muitas árvores frutíferas, muita araucária, muitos animais domésticos soltos pelo imenso campo, que ainda não tinha sido loteado. Pelos idos dos anos 50.
Meu pai foi quem escolheu morar no Bacacheri, pois era funcionário da Força Aérea Brasileira, e lhe aprazia morar perto do seu trabalho, que pudesse ir a pé. Quando completei seis anos, meu pai foi transferido para Salvador, capital da Bahia. Foi a primeira vez que viajei de avião. Chorei muito nessa viagem que estava deixando muitos amigos, um cachorro branquinho chamado RAGS, e uma lembrança de uma infância feliz. Foi o primeiro luto que fiz na minha vida.
Hoje moro no mesmo bairro. Mas ele já não é mais o mesmo. Nem eu. Nostalgia e saudade sempre invadem meu coração.
Recentemente, houve uma formação de um bloco de carnaval fora de época chamado Bloco da Vaca Chérie, que me inspirou a ler esta história para vocês. Cantando músicas de Carnaval que remetem a vacas e bois, andaram batucando e sambando pelo bairro até o seu Parque. Minha filha foi curtir e levar a alegria da nossa família pelo bairro. Apesar dos novos tempos, “é preciso arrancar alegria ao futuro!”1
1. Frase de um poema de Vladimir Maiakovski”

A Oficina da Palavra em 2016 – Maria Emília Tenório Arruda
A escolha do tema a ser desenvolvido em nossa Oficina da Palavra neste ano de 2016 demandou um processo sobre o qual podemos dizer que “mexeu” muito com nossas lembranças, desencadeando um turbilhão de emoções que abalaram nossas memórias.
A memória afetiva interfere na memória da realidade e, ao evocarmos lembranças, elas nos parecem ora amenas ora terríveis. Entretanto, ao nos depararmos com a folha em branco, dá-nos um “branco”. Como relatar nossa vivência transcrevendo para dar conhecimento a outrem aquilo que vivemos… E o tema a que nos ativemos foi o transcorrer de nossas vidas.
Vários textos foram sendo produzidos e de suas análises pudemos concluir que ao passar para a escrita revisitamos nossas vidas e concluímos que nos fez VIVERE BENE o que vivemos e, termos então, a possibilidade e oportunidade de relatar experiências que espelharam nossa existência contribuindo e dando a conhecer que vale a pena “viver e não ter vergonha de ser feliz” (Gonzaguinha).”

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