25 de agosto de 2016

Conviver

“O que temos a ganhar viajando para a lua se não conseguimos atravessar o obscuro que nos separa dos outros. Essa é a mais importante descoberta; sem ela todas as outras são não apenas inúteis, mas desastrosas. “(Thomas Merton)

O pensador Thomas Merton é autor do livro “Homem Algum é uma Ilha”, em que o próprio título nos mostra que já em nossa concepção, no ventre materno, vivenciamos talvez a mais intensa e maravilhosa experiência de CONVIVER.
A partir do nascimento ampliamos essa capacidade e necessidade de estarmos com os outros para sobrevivermos e crescermos, nos relacionando com os pais, irmãos… Um pouco depois com colegas de escola e professores. E passamos para o relacionamento no trabalho, grupo social, de lazer, religioso…
Aprendemos a ouvir, dividir, compartilhar, argumentar, discordar ou concordar através da convivência diária nestes diferentes grupos. Acrescentamos ao nosso ser novos conhecimentos, novas idéias, e assim vamos nos enriquecendo e dando nossa contribuição para os outros também.

No entanto muitos, ao chegarem a uma idade mais avançada, se encontram na solidão, na impossibilidade de realizar esta troca diária com outras pessoas. Deixam de fazer o que fizeram a vida toda – se relacionar, conviver, pertencer a um grupo.
Mesmo aqueles que convivem regularmente com filhos e netos, muitas vezes não conseguem acompanhar o ritmo das novas gerações, compreender as novas informações que são apresentadas, contribuir com suas idéias e valores.

Daí a importância da convivência com iguais.

Ninguém discute sobre a importância das crianças conviverem com colegas para seu desenvolvimento, de adultos terem um grupo de relacionamento além de seus ambientes de trabalho ou familiar, como grupos de lazer onde existam os mesmos interesses.

E o que falar de nossos idosos então?
É muito importante que sejam criadas possibilidades para que nossos entes queridos tenham a oportunidade de também ter o seu grupo de convivência, onde “se fala a mesma língua”, onde possam dividir seus anseios, suas preocupações, suas dores, suas histórias. Um grupo onde com certeza serão compreendidos, aceitos e amados.

E que nós possamos atravessar o obscuro que possa estar nos separando daqueles que tanto fizeram por nós.

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